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Ações, Vivências Fotográficas

Retratos do cárcere 2 – *Maria Alice

15 julho, 2016
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Não é fácil ser mulher no sistema carcerário brasileiro. Com 37.380 mulheres presas, o país tem a quinta maior população carcerária feminina do mundo, ficando atrás de Estados Unidos (205.400 presas), China (103.766), Rússia (53.304) e Tailândia (44.751). As mulheres correspondem a 6,4% da população carcerária no Brasil e continue lendo

#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 23 | 31 – Mulheres em situação de rua

23 março, 2016
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“A escola do morador de rua é o mundo, onde se vive as dores da vida.”

(W.A., moradora de albergue)

Por Thaís Milson

De acordo com o Decreto Federal nº 7.053/2009 (que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua), entende-se por população em situação de rua: o grupo populacional heterogêneo que compartilha da condição de pobreza extrema, vínculos familiares fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, procurando os logradouros públicos (ruas, praças, jardins, canteiros, marquises e baixios de viadutos), as áreas degradadas (dos prédios abandonados, ruínas, cemitérios e carcaças de veículos) como espaço de moradia e sustento, por contingência temporária ou de forma permanente, podendo utilizar albergues para pernoitar e abrigos, casas de acolhida temporária ou moradias provisórias (BRASIL, 2009).

Em São Paulo, de acordo com o Censo da População em situação de rua realizado em 2011, há aproximadamente 14.478 (quatorze mil quatrocentos e setenta e oito) indivíduos, sendo 6.765 (seis mil setecentos e sessenta e cinco) em situação de rua e 7.713 (sete mil setecentos e treze) em centros de acolhida da capital. Deste total, 12% são mulheres (cerca de mil seiscentos e oitenta mulheres das mais variadas faixas etárias).

Trazer a questão de gênero para essa discussão tem suas especificidades, pois estamos contextualizando uma forma diferente de sobreviver, porém, o papel feminino nas ruas, não se diferencia totalmente da realidade de muitas mulheres que estão inclusas na sociedade.

Nas intervenções que participei com a população de rua, tive a oportunidade de conhecer algumas mulheres, dentre elas contarei a história de Glória. Negra, com a idade por volta de 40 anos, era quase imperceptível, mas estava grávida de quatro meses. Viciada em crack e há dez anos vivendo na rua, transformou o entorno da estação da luz em seu lar. Com 1,75 de altura, aparentando pesar menos de 50 kilos, para sobreviver, Glória conta com o auxilio dos abrigos, entidades religiosas e esmolas.

Em nossos encontros, eram perceptíveis as marcas de violência física em seu corpo, quando questionei o que havia acontecido, Glória explicou que em uma das batidas policiais no local em que estava, acabou sofrendo agressão policial, prática habitual da policia, para dispersar a concentração de moradores de rua da região. Glória relatou a dificuldade de conviver nas ruas e a necessidade de proteção “na rua a gente tem que ficar esperta, se bobear roubam e batem na gente” palavras de Glória ao se referir sobre a relação com outros moradores de rua.  Seu companheiro, também morador de rua e coletor de recicláveis, é segundo ela, seu protetor e quem a ajuda no dia-a-dia.

Segundo TIENE (2004), as mulheres em situação de rua nunca estão sozinhas, procura conviver em grupos como forma de proteção, muitas procuram companheiros para se sentirem seguras, sendo muitas vezes submetidas sexualmente para garantir a segurança de outros. Viver na rua, para as mulheres é também construir essas relações necessárias ao seu cotidiano.

Glória, apesar da vulnerabilidade, do desamparo de direitos legais, preconceito, exposição à violência, fez das ruas o seu lar, o seu modo de vida, e no cotidiano, desenvolve formas especificas de sobrevivência, tornando a rua um espaço de referência, criando as suas próprias relações e a identificação com esse novo modo de vida, pois encontra pessoas nas mesmas condições de sobrevivência. É necessário removermos os preconceitos e nos aproximarmos mais dessas mulheres, conhecendo suas histórias, lógicas de sobrevivência, necessidades, esperanças, retirando a capa de invisibilidade que a sociedade insiste em manter ao marginalizá-las.

É necessário politicas públicas especificas para as mulheres em situação de rua, garantindo cuidados diferenciados. Pensar em uma política social para essas mulheres, vai além de  construir abrigos/albergues, mas sim locais que produzam a oportunidade de ter melhor qualidade de vida.

 

Público do Estado de Minas Gerais –MPMG. Cartilha Direita do Morador de Rua Ministério, 2010.

TIENE, Isalene. Mulher moradora na rua: espaços e vivências. Mestrado, Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social, PUC-SP, 2000.

 

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#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 21 | 31 – Assédio sexual

21 março, 2016
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Mas o que é esse assédio? Todos os dias, mulheres são obrigadas a lidar com comentários de teor obsceno, olhares, intimidações, toques indesejados e importunações de teor sexual afins que se apresentam de várias formas e são entendidas pelo senso comum como elogios, brincadeiras ou características imutáveis da vida em sociedade (o famoso “é assim mesmo…”) quando, na verdade, nada disso é normal ou aceitável.

Para tentar entender melhor o assédio sexual em locais públicos, a Olga colocou no ar, em agosto, uma pesquisa elaborada pela jornalista Karin Hueck, como parte da campanha Chega de Fiu Fiu. Contamos com 7762 participantes e 99,6% delas afirmaram que já foram assediadas  – um número tão alto que já dá a ideia da gravidade do problema. Veja abaixo o resultado:

Onde você já recebeu cantadas? (era possível selecionar mais de uma opção)
Na rua  98%
No transporte público  64%
No trabalho  33%
Na balada  77%
Em lugares públicos: parques, shoppings, cinemas  80%

 

Você acha que ouvir cantada é algo legal?
Sim 17%
Não 83%

 

Você já deixou de fazer alguma coisa (ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé) com medo do assédio?
Sim 81%
Não 19%

 

Você já trocou de roupa pensando no lugar que você ia por medo de assédio?
Sim 90%
Não 10%

 

Você responde aos assédios que ouve na rua?
Sim 27%
Não 73%

 

Quais cantadas você já ouviu em espaços públicos?  (era possível selecionar mais de uma opção)
Linda  84%
Gostosa  83%
Delícia  78%
Fiu fiu  73%
Princesa  71%
Nossa senhora  64%
Ô lá em casa  62%
Boneca 47%
Vem cá, vem  44%
Te pegava toda  36%
Te chupava toda  36%
Outros  4%

 

Se você já recebeu cantadas indiscretas no trabalho, de quem foi?  (era possível selecionar mais de uma opção)
De um superior  13%
De um colega  21%
De um cliente  14%
De um funcionário  9%

 

Você já foi assediada na balada?
Sim 86%
Não 14%

Já tentaram te agarrar na balada?
Sim 82%
Não 18%

Se sim, como?  (era possível selecionar mais de uma opção)
Pelo braço 68%
Pelo cabelo 22%
Pela cintura 57%
Outros 4%

 

Já passaram a mão em você?
Sim 85%
Não 15%

Se sim, onde?  (era possível selecionar mais de uma opção)
Peitos 17%
Bunda 73%
Cintura 46%
No meio das pernas 14%
Outros 4%

Você já foi xingada porque disse não às cantadas de alguém?
Sim 68%
Não 32%

 

Se sim, do quê?  (era possível selecionar mais de uma opção)
Metida 45%
Baranga 16%
Gorda 13%
Feia 23%
Mal-comida 25%
Outros 17%

Por favor, conte um episódio de cantada que ficou marcado na sua lembrança (alguns exemplos):

  • Um dia saí de casa para buscar fotos que eu havia mandado revelar. Era um dia frio e eu estava bastante agasalhada, nada estava amostra. E mesmo assim, por onde eu passava homens me observavam com olhares maliciosos, comentários baixos de desmerecimento e um deles até chegou a dizer “Ai, se essa buceta estivesse na minha cama”.
  • Em um bota fora da faculdade um menino tentou me agarrar fazendo uma chave de pescoço, enquanto dizia que eu era linda.
  • Em uma balada um menino passou a mão em minha bunda, por baixo da saia.
  • Eu tinha uns 11 anos. Era carnaval, as ruas cheias. Eu era uma criança. Lembro que estava de shorts não muito curto e uma camiseta. Um homem passou a mão em mim e acariciou meu cabelo dizendo: “Fooooofa” mostrando a língua depois.
  • Já estava perto de dobrar a esquina (da rua onde moro), à noite. Um cara vinha na direção contrária a minha. Quando chegou perto de mim, falou baixo: “Quer chupar meu pau?”. Pensei logo q seria estuprada, pq a esquina da minha rua é bem deserta e tal.
  • Eu estava voltando para casa, a pé. A rua estava praticamente vazia no ponto onde me encontrava e ao meu lado, uma motocicleta reduziu a velocidade. O motoqueiro ficou dizendo frases como “sobe aqui e eu te mostro como se trepa”, “meto em você todinha, delícia”. Fiquei constrangida e assustada, decidi ignorar o motoqueiro e ele foi embora sem que eu o olhasse. Tive medo de ser estuprada.
  • Eu tinha dez anos, estava andando de bicicleta e um cara, que veio andando de bicicleta, passou do meu lado e apalpou a minha bunda. Fui para casa chorando, corri falar com os meus pais chorando muito. Eu tinha me sentido invadida, mas não tinha entendido direito o que havia acontecido.
  • Andando na rua as 19 da noite em frente ao shopping Patio Savassi, eu, com 16 anos, ignorei um grupo de homens que me assediaram com palavras e levei um tapa com muita força na bunda. Chorei de dor e humilhação.
  • Ouvi um cara começar a me chamar de gostosa na rua e ignorei. De repente, o cara veio se chegando pro meu lado no ponto de ônibus, com o pau pra fora, batendo uma punheta pra mim, me chamando de gostosa. Entrei no primeiro ônibus que encostou, nem vi para onde ia, só pra fugir do safado. Quando cheguei em casa chorando, minha mãe perguntou o que tinha acontecido. Depois que contei, ela perguntou: “E o que você fez pra provocar o homem, ele não colocou o pau pra fora à toa”. Depois disso, nunca mais contei nenhum episódio de assédio, abuso ou qualquer outra coisa pessoal que aconteceu comigo.
  • Um cara de bicicleta invadiu a calçada na qual eu caminhava tranquilamente, à noite, e passou a mão nos meus seios.
  • Estava num show de rock e alguém enfiou o dedo na minha bunda. Eu tinha 15 anos. Parece até engraçado falar assim, mas foi traumático e doentio.
  • Andava a pé até a academia quando tinha 15 anos. Como, com o tempo, comecei a ficar muito incomodada com as cantadas, olhares, motoqueiros buzinando, acabei decidindo que ia colocar uma calça moletom e camiseta por cima da roupa de academia. Com isso, as cantadas imediatamente pararam, mas eu passava muito calor com 2 roupas, andando na rua em dias de sol.
  • Uma vez um sujeito masturbou-se ao meu lado no ônibus. Fiquei tão em choque que só tive a reação de sair do local desesperada. Não consegui gritar, nem fazer um escândalo.
  •  Era nova, mais ou menos 16 anos, estava passando por uma rua sozinha e me deparei com um grupo de homens torcedores de algum time que não me lembro (estava num bairro próximo a um estágio em Belo Horizonte, num dia de jogo). Eles começaram a me “cantar”, de repente estão passando a mão em mim, pelo menos uns quatro homens me empurrando. E eu desesperada saí andando rápido, tentando me soltar. Foi desesperador… Senti um medo real de me estuprarem coletivamente.
  •  Estava andando despreocupada, com fones de ouvido. Eram 17 horas e a rua estava bem movimentada, inclusive com vário pedestres fazendo caminhada. Um homem de moto diminui a velocidade ao passar por mim e enfiou a mão no meio das minhas pernas, de uma forma totalmente brutal. Fiquei assustada e o xinguei. Demorei uma semana para esquecer a sensação daquela mão no meio das minhas pernas.

Nós mulheres precisamos acreditar e lutar por um futuro no qual ninguém se sinta no direito de discriminar o diferente em espaços onde todos têm o direito de estar. Mais que o fim do fiu fiu, desejamos um mundo no qual todos tenham a possibilidade de alcançar seu potencial máximo independente de quem seja ou onde esteja. Somos um movimento pela equidade pública: esse é o futuro da luta contra o assédio no mundo.

 

Fonte e pesquisa completa: Think Olga

 

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#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 20 | 31 – Violência obstétrica

20 março, 2016
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A violência obstétrica existe e caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, através do tratamento desumanizado, abuso da medicação e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres.

Toda mulher tem direito a um pré- natal de qualidade, e este é um direito que visa à saúde e ao bem-estar não apenas da mulher, mas também da criança.

A violência obstétrica durante a gestação pode ser caracterizada por:

  • negar atendimento à mulher ou impor dificuldades ao atendimento em postos de saúde onde é realizado o acompanhamento pré-natal;
  • comentários constrangedores à mulher por sua cor raça, etnia, idade, escolaridade religião ou crença condição socioeconômica, estado civil ou situação conjugal, orientação sexual, número de filhos, etc;
  • ofender, humilhar ou xingar a mulher ou sua família;
  • negligenciar o atendimento de qualidade;
  • agendar cesárea sem recomendação baseada em evidências científicas, atendendo aos interesses e conveniência do médico.

O Brasil é o país campeão em operações cesarianas no mundo, resultado de uma prática indiscriminada da cirurgia e contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Reduzir a taxa de cesáreas no país é essencial para a melhoria dos índices de morbimortalidade materna infantil.

Exemplos de mitos ditos às mulheres, para justificar uma cesariana sem indicação clínica: bebê muito grande, muito pequeno ou “passando da hora”, mulher com baixa estatura, ou quadril estreito (“não tem passagem”), cordão enrolado no pescoço, pé do bebê “preso na costela” da mãe, pouco líquido amniótico, mulher que apresenta cesariana anterior, deficiência ou mobilidade reduzida falta de contrações ou dilatação (fora do trabalho de parto), hemorroidas, hepatite, cardiopatia, etc.

Violência obstétrica durante o parto. No Brasil, toda mulher te direito a um acompanhante de sua escolha durante todo o período de duração do trabalho de parto, parto e pós- parto, além de ser tratada com dignidade e ter garantida sua integridade física e psicológica.

As formas mais comuns de violência obstétrica no parto são:

  • recusa da admissão em hospital ou maternidade (peregrinação por leito);
  • impedimento da entrada do acompanhante escolhido pela mulher;
  • procedimentos que incidam sobre o corpo da mulher, que interfiram, causem dor ou dano físico (de grau leve ou intenso). Exemplos: soro com ocitocina para acelerar o trabalho de parto por conveniência médica exames de toque sucessivos e por diferentes pessoas, privação de alimentos, episiotomia (corte vaginal) imobilização (braços e pernas), etc;
  • toda ação verbal ou comportamental que cause na mulher sentimentos de inferioridade, vulnerabilidade abandono, insegurança, dissuasão, ludibriamento, alienação, perda de integridade, dignidade prestigio;
  • cesariana sem indicação clínica e sem consentimento a da mulher;
  • impedir ou retardar o contato do bebê com a mulher logo após o parto, impedir o alojamento conjunto mãe e bebê, levando o recém nascido para berçários sem nenhuma necessidade médica, apenas por conveniência da instituição;
  • impedir ou dificultar o aleitamento materno (impedindo amamentação na primeira hora de vida afastando o recém-nascido de sua mãe, deixando-o em berçários onde são introduzidas mamadeiras e chupetas, etc.).

***Informações – Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher e Associação Artemis

 

Caso você tenha sofrido alguma violência obstétrica denuncie.

Para denunciar, basta procurar a Defensoria Pública do município com cópia do prontuário médico, documento que registra todos os procedimentos pelo quais a mulher foi submetida desde que chegou ao hospital ou maternidade. Para obtê-lo preciso procurar o setor administrativo da instituição e solicita-lo. O único custo que pode ser cobrado é o da cópia das folhas.

Também é possível registrar a denúncia ligando para 180 (Violência contra a Mulher) ou para o 136 (Disque Saúde).

Fora isso, você também pode apoiar mulheres que passaram por essa situação, segundo Michel Odent obstetra francês “Para mudarmos o mundo precisamos mudar a forma de nascermos”, que possamos ser parte dessa mudança lutando contra essa violência que tem afetado tantas mulheres brasileiras.

 

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#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 19 | 31 – Abuso sexual contra a Mulher

19 março, 2016
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Uma em cada 14 mulheres já foi – ao menos uma vez em sua vida – vítima de abuso sexual por alguém que não é seu parceiro, segundo a respeitada publicação cientifica da revista The Lancet de 2014.

“A violência sexual contra as mulheres não está confinada a uma cultura, uma região ou um país especifico, nem a grupos de mulheres em particular dentro de uma sociedade. As raízes da violência contra as mulheres decorrem da discriminação persistente contra as mulheres”, afirma a ONU – Organização das Nações Unidas.

Dados da ONU, apontam para uma situação sombria onde revela que cerca de 70% das mulheres do mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. Em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres será vítima de estupro ou tentativa de estupro, calcula. Esta também aponta que mulheres entre 15 e 44 anos correm mais riscos de serem estupradas e espancadas do que se sofrer de câncer ou acidentes de carro.

A violência sexual contra as mulheres é vista como uma questão de saúde pública que pode acarretar consequências médicas, psicológicas e sociais. As vitimas podem sofrer transtorno de estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, transtornos alimentares, distúrbios sexuais e de humor, além de outras consequências como afetar diretamente na autoestima da vitima.

Segundo estudo do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, onde foram entrevistadas 3.810 pessoas entre maio e junho do ano passado, a maioria dos brasileiros ainda considera a mulher como responsável pela violência sexual. Uma das explicações para isto é que, historicamente a mulher tem sido vista como objeto, e propriedade do homem (pai, marido, patrão e até desconhecidos) e os seus direitos como cidadã são colocados de lado. Sendo vista como objeto, o desejo da mulher não é respeitado e é isso que os crimes sexuais evidenciam; eles mostram o extremo desrespeito ao direito da mulher dizer “não” a um desejo do homem. O que somente fortalece o discurso de que nossa sociedade é machista.

Algumas vítimas se recusam a denunciar por conta do medo, vergonha e o sentimento de culpa que enfrentam, além disso, comprovar a ocorrência de um estupro não é fácil, pois muitas vezes não ficaram marcas no corpo ou nas roupas da vítima, ou o exame de corpo de delito foi realizado tardiamente.

No entanto, apesar de todas as dificuldades e alguns constrangimentos que a mulher se depara ao denunciar este tipo de crime é fundamental fazê-lo, pois é apenas rompendo com o ciclo do silêncio que podemos aos pouco lutar contra a impunidade que cerca os crimes de caráter sexual.

 

março-de-igualdade-19

#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 16 | 31 – Feminicídio

17 março, 2016
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Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. As condições mais usuais deste crime são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comum em sociedades com base no machismo, assim como o Brasil.

Segundo a pesquisa Violência e Assassinatos de Mulheres (Data Popular/ Instituto Patrícia Galvão, 2013), 85% dos entrevistados acham que as mulheres que denunciam seus parceiros ou ex quando agredidas correm mais riscos de serem assassinadas, porém o silêncio também não é a solução, uma vez que 92% quando as agressões contra a esposa/ companheira ocorrem com frequência, também podem terminar em assassinato. Levando-nos a concluir que em caso de violência doméstica o risco de morte é iminente.

Por conta disso no dia 09 de março do ultimo ano (2015), a lei de número 13.104 altera o código penal e prevê o feminicídio como um tipo de homicídio qualificado e o inclui no rol dos crimes hediondos, tornando assim a pena maior para este crime.

Os crimes hediondos, por sua vez, são aqueles considerados de extrema gravidade e que, por isso, recebem um tratamento mais severo por parte da justiça. Eles são inafiançáveis e não podem ter a pena reduzida, por exemplo.

Segundo a lei, a pena pode aumentar diante de alguns agravantes como: feminicídio ocorrido durante a gestação, feminicídio contra menor de 14 anos, maior de 60 anos ou pessoa com deficiência física e feminicídio na presença de descendente ou ascendente da vítima.

Segundo a juíza Adriana, a lei do feminicídio traz a perspectiva de duas importantes mudanças. Uma delas é responder à necessidade de que sejam tomadas providências mais rigorosas em resposta aos altíssimos índices de violência contra as mulheres no Brasil.

A outra é a importância da lei do feminicídio em evidenciar a existência de homicídios de mulheres por questões de gênero. “Sabe-se que as mulheres são assassinadas em circunstâncias em que os homens não costumam ser e que é necessário expor tais circunstâncias, a fim de que o público as conheça e se sensibilize com a situação dessas mulheres”, explica Adriana. Esperamos que com essa caracterização os dados possam ser compilados de uma forma mais adequada tornando mais visível este grave crime e possibilitando a criação de políticas publicas de prevenção à violência contra a Mulher.

 

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