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Retratos do cárcere 2 – Uma história

29 junho, 2016

Brasileiros e filipinos são semelhantes na devoção aos norte-americanos. Fast food, artistas do cinema e da música, hip hop e termos em inglês como feedback, upgrade, look, entre outros são comumente pronunciados no dois países. A paixão asiática se explica, pois os Estados Unidos dominaram o país ao final da 2ª Guerra Mundial. Mas semelhança à parte, os motivos que trouxeram Mayla* ao Brasil foram outros… Mas precisamente o tráfico de drogas internacional.

Quando se está em desespero, precisando de dinheiro para sustentar um filho, a proposta de entrar em um país carregando drogas escondidas não parece má ideia. Marcada por uma infância pobre, Mayla não pensou nos riscos que poderia correr ao se envolver com a criminalidade. Ela nasceu em Manila, capital do país localizado no Sudoeste Asiático. Cresceu numa família pobre e tinha dois irmãos que assim como ela cedo começaram a perambular pelas ruas da cidade em busca de alguns trocados para levar para casa.

Ainda hoje, Manila se depara diariamente com a dureza social ao carregar seus menores em uma vida que com frequência acaba na droga, prostituição ou mendicidade.  Os dados divulgados recentemente alegam que 25% dos filipinos sobrevivem com renda abaixo da linha de pobreza, o mesmo índice dos últimos seis anos.

Mayla foi uma dessas crianças que não teve uma família estruturada, uma boa educação, a opção de ter uma profissão. Mesmo a sombra do crime, quando a proposta para vir ao Brasil chegou foi recebida com a falsa esperança de uma vida diferente, uma chance de vencer e salvar seu próprio filho do trágico destino dos pobres de Manila.

Contudo, assim que colocou os pés no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) foi abordada por polícias federais que desconfiaram da entrada de uma mulher filipina sozinha no país. Uma turista? O que faria aqui? Tinha parentes e amigos no Brasil? Quem conhecia em São Paulo?

Não foi preciso muito tempo para que os agentes federais encontrassem as drogas, nem foi preciso responder as perguntas.  Mayla foi direto para uma penitência feminina, o que conhece de São Paulo são apenas o Aeroporto e as celas da prisão.

Já se passaram quatro anos e meio desde que recebeu a voz de prisão. Seu filho continua nas Filipinas vivendo no mesmo lugar onde a mãe cresceu. Sobre o futuro, Mayla afirma que quer recomeçar, trabalhar, estudar e rever seu filho, mas ainda não sabe quando e nem como será seus próximos dias no Brasil.

Apesar da trajetória sem sorte, Mayla é alegre e carinhosa. Gosta de animais e de plantas, sempre tem uma palavra para animar as companheiras de cela quando bate o desanimo. Não guarda rancor de seu destino e desesperança pela solidão e distância da família. É apenas uma mulher que cometeu um erro e deseja com afinco uma segunda chance de recomeçar.

 

*nome fictício – foto aleatória da ação Retratos do Cárcece 2

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