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Março de Igualdade 26 | 31 – Mulher e o feminismo

26 março, 2016
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Por Glória Branco

Na Nigéria do século XIX, era comum na cultura Igbo que meninas recém-saídas da infância se casassem com homens que não amavam e sequer conheciam. Para evitar esse destino, as jovens precisavam contar com a sorte de ter uma família que não se curvava a essa cultura ou com a coragem de enfrentar uma sociedade sexista para viver seus próprios sonhos.

A palavra “feminista”, como a própria ideia de feminismo, é limitada por estereótipos. Comumente se diz que as feministas são mulheres infelizes, que não conseguem arranjar marido, que odeiam os homens, que odeiam sutiã, que não se depila, não se pinta, não tem senso de humor e não usa desodorante.

Porém feminismo não é o contrario de machismo, não é a ideia de que mulheres são melhores que os homens, também não é um movimento pelo fim da família e das religiões. Feminismo é, na verdade, uma ideia bem simples: a de que homens e mulheres têm dignidade igual e merecem direitos equivalentes. Quer dizer, ser mulher e não ser feminista seria um contrassenso sem tamanho.

O que é importante quando falamos de feminismo é compreender que existem várias correntes com as quais cada mulher pode se identificar ou não. Existe a corrente intersecional, que acha que a realidade das mulheres deve ser analisada e transformada considerando vários fatores da vida de cada uma, como cor, classe social, orientação sexual, entre outros. Também existe o feminismo liberal, que é contra cotas e outras políticas de incentivo e acredita que as mulheres, individualmente, podem conquistar seus espaços. Tem ainda o feminismo radical, que luta contra todas as estruturas que estão aí – contra a forma tradicional de família, por exemplo.  As radicais são muito comprometidas com a luta contra a violência sexual e de gênero.

Portanto é sábio estudar sobre o movimento e entender que ele está diretamente ligado as conquistas das mulheres nos últimos anos. Porque, vamos combinar, nenhuma pessoa com conhecimento mínimo de história pode negar que as mulheres foram e são oprimidas. A narração do começo deste artigo ilustra bem isso. Se quiser mais, imagine que até o ano passado as mulheres não podiam votar na Arábia Saudita!

O debate primordial é para construir uma sociedade em que as mulheres são mais felizes e para isso não existem questionamentos proibidos nem perguntas ofensivas. Feminista é, na verdade, a mulher ou o homem que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”.

Se desafie a pesquisar mais sobre o feminismo e identificar com qual corrente você melhor se encaixa, e vá a luta pelos seus direitos e de todos porque todos nós, homens e mulheres, precisamos nos tornar seres humanos melhores.

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