#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 25 | 31 – Sororidade

25 março, 2016
março-de-igualdade-25---capa-site

Sororidade é a aliança feminista entre mulheres. A palavra sororidade não existe na língua portuguesa, entretanto, uma palavra muito semelhante seria fraternidade que é descrita no dicionário como: 1 Solidariedade de irmãos. 2 Harmonia entre os homens. Ambas as palavras vem do latim, sendo sóror irmãs e frater irmãos. No entanto, na nossa linguagem usual, ficamos apenas com a versão masculina do termo, por conta da nossa sociedade patriarcal que dita que relações harmoniosas são possíveis apenas entre os homens.

Sororidade é uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo. É uma experiência entre mulheres na busca por relações positivas e saudáveis, na construção de uma aliança existencial que visa e pode contribuir com a eliminação social de todas as formas de opressão às Mulheres, fortalecendo o conceito de que “Juntas somos mais fortes”. A sororidade é a consciência crítica sobre os valores sociais misóginos e é o esforço tanto pessoal, quanto coletivo de destruir a mentalidade e a cultura preconceituosa, enquanto transforma as relações de solidariedade entre as mulheres.

Como a misoginia está baseada e enraizada no machismo, ao desmonta-la afetamos a percepção do “homem” como centro da sociedade, que através do empoderamento feminino perdem o seu valor. O conceito de que o “homem” é melhor ou maior que a mulher desaparece quando a visão de mundo deixa de ser antropocêntrica e cada mulher passa a ver o mundo a partir de si mesmo e de seu gênero, recusando assim a supremacia machista.

A identificação entre mulheres como semelhantes aumenta conforme maiores são as coincidências de condições de idade, geração, sexualidade, classe social, etnia, formação cultural, ideologia, atuação política, religiosidade, nacionalidade, etc. Semelhanças entre essas condições facilitam a identificação de forma positiva entre mulheres por pertencerem e por se identificarem com o gênero feminino. A sororidade possibilita propagar a igualdade de gênero através de mecanismos de defesa à agressões e à qualquer forma de violência.

Os mecanismos patriarcais fazem com que essas mulheres tenham a esperança de serem eleitas e assim conquistarem poder. Elas competem entre si com a falsa esperança de serem eleitas entre “as outras”, ocupar posições, formando muitas vezes alianças com os homens, fomentando uma escala hierárquica entre si. Cada mulher se compara competitivamente com a outra e se coloca como superior ou inferior em um eixo hierárquico de dominação e opressão, inferioridade e superioridade, mediado pelas escalas classistas.

É imprescindível ter a consciência de que as mulheres são utilizadas para reproduzir a opressão de gênero entre elas, aniquilando assim o valor feminino individual e coletivo. A política patriarcal usa as próprias mulheres para prejudicar outras mulheres, prometendo a elas a aceitação, a valorização e a ascensão. Para combater a crueldade e o equívoco da inimizade, o feminismo precisa fortalecer e promover a sororidade, eliminar a misoginia pessoal e coletiva, não reproduzir formas de opressão entre mulheres como a discriminação, a violência e a exploração.

As redes genealógicas de apoio entre mulheres têm se consolidado principalmente entre parentes, companheiras e amigas. Se remontam a várias gerações de parentesco entre mulheres e também de movimentos feministas do passado. As mulheres não teriam sobrevivido em condições tão opressivas se não tivessem contado com esses apoios vitais. O que seria de nós mulheres sem nossas mães, filhas, avós? O que seria de nós sem nossas companheiras e amigas? O que seria de nós sem nossas ancestrais?

A sororidade é um princípio de relação entre todas as mulheres e um recurso para enfrentar os conflitos que podem surgir entre elas, eliminando a misoginia. Ela possibilita estabelecer vínculos entre civis e governantes, militantes de partidos, sindicatos, indígenas e mulheres de outras culturas, jovens e idosas, assim como camponesas, operárias, urbanas, heterossexuais e lésbicas, intelectuais e mulheres com baixa escolaridade, entre dirigentes e mulheres “de base”, teóricas e ativistas. Ao não tratar as diferenças de forma preconceituosa, convertendo-as em empatia entre as mulheres. É preciso superar a exigência de sermos idênticas.

A sororidade busca e, ao mesmo tempo já é, a concretude de formas de empoderamento das mulheres. Plantar relações de sororidade significa a vontade de apoiar para empoderar. Por isso, a sororidade pode dar-se entre desconhecidas, parentes, colegas, companheiras e amigas. Não é preciso ser amiga para vincular-se de forma solidária. Mesmo entre aquelas mulheres que têm conflitos pode-se viver em sororidade. Sendo assim, nenhuma tratará de excluir, destruir ou causar dano à outra.

O sentido da sororidade é propiciar melhores condições de vida para as mulheres e derrubar muros patriarcais. A prática feminista da sororidade permite às mulheres serem coerentes, potencializando assim a cultura de igualdade.

 

março-de-igualdade-25

You Might Also Like

1 Comment

  • Reply Março de Igualdade 29 | 31 – A maternidade - Coletivo MariaColetivo Maria 12 abril, 2016 at 15:28

    […] nossas experiências, mas não as colocando como absoluta verdade. Acredito que o conceito de Sororidade, que falei aqui se encaixa perfeitamente como um valor da Maternidade, que possamos nos tratar como […]

  • Leave a Reply