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Março de Igualdade 24 | 31 – Mulheres da terceira idade

24 março, 2016
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Por Marcia Neder

A PODEROSA NOVA MULHER MADURA

Sim, há uma geração diferente chegando aos 60 e reescrevendo o modelo de envelhecimento estereotipado e tradicional, aquele que é representado na plaquinha do idoso curvado, frágil e dependente.

Nesse grupo ativo e autônomo, destacam-se as mulheres que protagonizaram a Revolução Feminina no século passado, tomaram a pílula e ficaram donas do próprio corpo. Entraram no mercado de trabalho, ganharam o próprio dinheiro e ficaram independentes.

 

Como elas poderiam agora envelhecer como suas mães e avós?

A geração das baby boomers, aquela nascida no pós-guerra entre 1946 e 1964, época em que a expectativa de vida não alcançava os 60, chega à maturidade em meio a uma veloz transformação demográfica que nos traz mais 20/30 anos. Nesse Brasil que passa de um país jovem para um país maduro, as mulheres já vivem quase oito anos a mais que os homens e serão chave dessa mudança gigantesca. Mais uma vez elas estão rompendo os limites do seu tempo.

 

Como serão esses 20/30 anos a mais? Muito bons.

Maturidade não é mais o começo do fim. Há uma nova Revolução Feminina em curso que, apesar de silenciosa, é tão transformadora quanto a primeira. As mulheres dessa geração chegam aos 60 ativíssimas, produtivas, independentes, autônomas, bonitas, saudáveis, formadoras de opinião, empreendedoras e líderes em suas áreas de atuação. Cheias de planos, inovam, ultrapassam limites e transformam a própria vida, criando um novo sentido para a idade.

 

Quando eu tinha a idade da minha filha, que tem 25 anos, alguém que tinha 60 era um velho. Hoje, a minha filha não tem essa visão porque ela está convivendo com uma pessoa que não representa esse estereótipo. O significado dos 60 anos na Sociedade Industrial do século passado, em que o corpo jovem era o capital, é completamente diferente do sentido dos 60 na nova Sociedade do Conhecimento do século 21, em que a mente é o capital. A idade, portanto, ganha importância nesse novo contexto porque é sinônimo de experiência e sabedoria. Sabe aquela frase que a gente sempre escuta de que os 50 são os novos 40, que os 60 são os novos 50? Nada mais ultrapassado. Não queremos ser mais jovens. Queremos um novo significado para a idade real.

Hoje, os 60 são os novos 60.

Essas novas mulheres maduras e poderosas são aspiracionais para a geração do milênio. Pela primeira vez, uma geração mais nova está olhando para uma mais velha, sempre foi o contrário. Os baby boomers vão colocar o velho no seu devido lugar. Quer ver como?

Elas são curiosas, gregárias e solidárias, sempre somam. São menos auto-centradas e mais generosas. Têm uma capacidade muito maior de olhar para as necessidades dos outros e trabalhar por inclusão. Querem  contribuir, partilhar, distribuir.

São produtivas, têm múltiplos interesses e estão sempre aprendendo algo novo. Estudam, fazem planos e projetos. Querem empreender, criar, deixar um legado.

Estão plugadas na internet, têm uma vida social e cultural intensa e um grupo de amigos que são como uma família. Querem viajar, se conectar, experimentar, saborear a vida.

São vaidosas, bem cuidadas, seguras de si, em paz com as imperfeições. Muito rigorosas com a qualidade da alimentação e a rotina de exercícios. O maior investimento é na saúde física e mental. Querem expandir a consciência, a visão holística e a espiritualidade.

Juntam dinheiro, investem, mas bem pé no chão. Planejam com segurança uma velhice autônoma e confortável. São autoindulgentes e exigentes, priorizam qualidade em lugar de quantidade. Querem consumir menos e melhor.

Cultivam o otimismo, não olham para trás, não se lamentam, não têm medo do futuro nem da morte. São fortes, corajosas, intuitivas e coerentes. Estão abertas para o novo e levam a vida com paixão.

As fascinantes mulheres que pesquisei no meu livro “A Revolução das 7 Mulheres: os sete perfis que representam a geração 50+, 60+ que está reinventando a maturidade” já entenderam que são as protagonistas dessa nova história. Ao revolucionarem o curso da própria vida, criam um novo sentido para o envelhecimento e novos valores para a sociedade.

A velhice é um privilégio. Temos que fazer desse momento uma coisa muito boa. E está em nossas mãos.

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Texto – Marcia Neder é carioca e jornalista formada pela PUC. Atuou como repórter da Globo e, por três décadas, cobriu o universo das revistas femininas na Editora Abril, acompanhando a gigantesca transformação da condição da mulher no Brasil e no mundo, ocorrida na segunda metade do século 20. Dirigiu as revistas Nova e Claudia, e atuou como publisher de Elle, Estilo, Saúde, Boa Forma, Women’s Health, Bons Fluidos e Vida Simples. Durante todo esse tempo, aprendeu sobre força, resiliência, talento, paixão, desejos, sonhos e desafios que determinam o comportamento de tantas mulheres. Nesse primeiro livro, explorando o nicho da nova mulher madura, continua a fascinante viagem pela alma feminina em que teve a sorte de se especializar.

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