#MarçodeIgualdade

Março de Igualdade 08 | 31 – O padrão de beleza

8 março, 2016
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Por Josi Salgado

Rito de beleza

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu? Infelizmente, a nossa sociedade impõe um padrão de beleza distorcido e praticamente inalcançável para a maioria das mulheres, o que acaba levando a uma resposta frustrante diante dessa pergunta.

Quando vamos ao longo da história, identificamos que padrões de beleza sempre existiram, mas que sofreram por sérias reconsiderações com o passar de cada época.

Durante a renascença, as gordinhas arrasaram com suas fartas curvas. Tinham tanto orgulho das sobras que as mostravam – sem roupas ou pudor – para que os artistas da época as tornassem verdadeiras obras de arte. Cada “gordurinha” tinha seu porque: garantindo uma reserva para a gestação, quadris largos facilitavam o trabalho de parto e seios volumosos eram perfeitos na amamentação. Nossa querida musa Bundchen, não teria feito tanto sucesso.

Pelo que a história narra o único período que não existiu um padrão dominante foi na Idade Média. Mas essa fase em que as mulheres viveram de bem com o espelho não durou muito. Durante o renascimento, voltou a reinar o padrão de beleza estipulado pelos Greco-romanos, que elegeu o “nada de mais e nada de menos”. Apenas o julgado necessário.

E assim, seguiu a sociedade ditando cada vez menos quilos até chegarmos em 1990, quando foi dada a largada da influencia das magérrimas top-models que nos influenciam até inconscientemente estampando capas e mais capas de revistas, fortalecendo um padrão distorcido de beleza ditado pela mídia atual.

“O padrão estético de beleza atual, perseguido pelas mulheres, é representado imageticamente pelas modelos esquálidas das passarelas e páginas de revistas segmentadas, por vezes longe de representar saúde, mas que sugerem satisfação e realização pessoal e, principalmente, aludem à eterna juventude” (BOHM, 2004, p.19).

Afinal, o que é beleza?

Para alguns beleza é algo muito subjetivo. O que é bonito para uma pessoa pode ser horrível para outra, mas então porque esses padrões ainda mexem com a nossa autoestima enquanto mulheres? A Dove em uma dês suas campanhas que explora a diversidade feminina e busca o belo em suas diversas formas de expressão, lançou a campanha “Real Beleza”, a partir de uma pesquisa realizada pela StrategyOne com 3.200 mulheres entre 18 e 64 anos, e pertencentes a dez países, inclusive o Brasil. A pesquisa avaliava como essas mulheres se sentiam diante do espelho.

Os resultados revelaram que a maioria das mulheres estavam insatisfeitas com a sua aparência. As brasileiras ficaram em segundo lugar no índice de insatisfação física (37%), perdendo apenas para as japonesas (59%).

Assim podemos concluir que ainda que muitas vezes venhamos a dizer publicamente que beleza é algo subjetivo, muitas vezes não aplicamos este conceito a nós mesmas e infelizmente essa insatisfação que nós mulheres temos diante do espelho reflete diretamente em nossa autoestima, o que segundo a psicóloga Andreia Mattiuci, “não existem fórmulas mágicas para melhorar a autoestima. A única solução é o autoconhecimento”.

Procurar a beleza particular que existe em cada uma de nós, criando assim o nosso próprio rito de beleza diante do espelho, aceitando cada imperfeição, cada quilo. E tendo a certeza que: espelho, espelho meu não existe alguém mais bonita do que eu, afinal eu sou única!

Desafio você hoje a realizar o seu próprio rito de beleza e desconstruir padrões.

Feliz dia da Mulher! #MarçodeIgualdade

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