Vivências Fotográficas

Fernanda Marques

26 fevereiro, 2016
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Eu sou a Fernanda Marques, tenho 24 anos, sou formada em Relações Internacionais e trabalho como artesã. Vejo meu artesanato como uma forma de interação com outras pessoas, me permitindo conhecer um pouco mais do outro – coisa que se tornou rara hoje em dia.

Nós somos criadas com a propensão de achar que a outra Mulher é nossa inimiga e que a disputa é algo indispensável em nossa vida. Mas eu acredito que não. Acredito que precisamos ajudar umas as outras. Por exemplo: eu estava um dia em um ônibus e uma moça estava com o namorado dela. Observei que ela estava com uma expressão muito triste e ela, aparentemente, havia feito algo de errado antes de entrar no ônibus. Devido a isso, ele ficou humilhando- a, ao mesmo tempo em que tentava agarrá-la a força. A viagem foi um pouco longa e a situação começou a me chatear, pois ele continuava a humilhá-la, mas ninguém fazia nada para intervir. Então mesmo com medo, decidi que eu podia fazer algo – por mais simples que fosse. Peguei a caneta que eu tinha na mão e escrevi num papel: “nunca deixe ninguém te maltratar”. Assim, na hora em que ela foi descer lhe entreguei o papel de forma discreta como se ela tivesse deixado cair. Não sei se ela leu, nem se mudou a história dela, mas me senti de alguma forma companheira dela naquela situação.

Já sofri preconceito e assédio em transporte público, puramente por ser mulher. Mas não posso negar que sou naturalmente privilegiada, pois nasci branca e mesmo tendo sido criada na periferia, isso me coloca em vantagem. Precisamos falar sobre isso! Que desigualdade de gênero afeta mais umas do que outras.

Muitos e até mesmo mulheres acreditam que temos direitos iguais, que feminismo é papo de quem não quer nada da vida etc. Embora acredite que isso é culpa do machismo impregnado em nossa cultura, é necessário se posicionar para mudar essa situação. Essa caminhada com outras mulheres têm contribuído muito na descoberta de quem eu sou como Mulher, que vai muito além do que os homens e a sociedade esperam de mim.

Ser mulher é ter liberdade para me conhecer e a partir disso poder ajudar também a outras. Vai muito além de cuidar de uma casa de forma “correta”. É contribuir para uma sociedade mais justa. Por isso, mulheres, caminhem juntas! Até que isso coloque fim no ciclo da desigualdade de gênero… pode até parecer utópico, mas é essa “utopia” que tem me motivado a lutar!

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